INSANIDADE LÚCIDA: UMA ODE A LOUCURA

Se a insanidade fosse obscura não teria esta angustia a apertar o peito. Viveria num mundo com elefantes pinks e limonadas. Qual a solução afinal? Qual a minha escolha afinal? Essa é a questão. Se eu continuar a me esconder tenho que pelo menos escolher o que desejo. Não vivo de clichês, mas de sonhos vencidos pelo tempo. E o desejo nada tem a ver com a necessidade. Está na hora de erguer a fortaleza! Ou procuro um acalanto, admito a loucura plena como companheira e procuro dizimar sua influência. Ou deixo ser abraçada pela escuridão! Até quando silenciarei as vozes do consciente? Até me perder na sobriedade? No monótono? Ou assinarei um contrato social com a hipocrisia?! Não assino contratos de qualquer natureza porque isto não é a minha natureza. Sou selvagem e prefiro o vazio real do que os sorrisos imaginários. Detesto os apertos de mãos solidários e os olhares complacentes. Não dá mais para esconder o óbvio. Ficou tudo tão claro quando eu te vi ao espelho, E eu não pude fazer nada porque já tinha se quebrado. Nada mais angustiante que esta insanidade lúcida, Este dom profético para alucinações e interjeições. E o teu silêncio e o meu silêncio gritam ao meu ouvido. Mas não vou me perder, nem caminhar para o sentido oposto. Chegou a hora da loucura assinar o roteiro. E por fim, as cortinas se fecham com um gosto amargo de solidão Sem plateia ou aplausos. Apenas o vazio das vozes e das letras!
Escrito por Babi Arruda às 17h24
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MARTÍRIO FINAL

Quando o peito aperta, a alma sai fora da matéria e uma lágrima rola em sua face, E o pranto jurado pelos mortos se aquece, Sua vida se torna uma redoma de vidro, E os bárbaros são apenas simples mortais. Por que esta agonia desenfreada que há tanto tempo passou por mim? Retorno de angústias passadas? Como pode ser a fragilidade dos seres humanos. Finda esta dor, estas lágrimas que já não escorre mais pelo meu rosto, escorre pelo meu coração. Seguro em meus braços o rei sol com seu coração de gelo. Que aquece sua solidão e queima meu corpo. E um abismo se cria entre o céu e a terra. Os deuses diante de ti sussurram e retiram seu semblante. Vulnerável, sem defesa, com votos de castidade. Inconsolável dor, desatinada. Mudanças atroz, desnecessárias. Um cálice de vinho entrelaçado em minhas mãos derrama-se e espalha somente a solidão. Chegar ao fim da linha sem crença na morte e uma desesperança na vida. Andar na corda bamba da razão, num último golpe: insensatez! Por fim, em fim, a fim da espera de uma resposta que já conheço. E num gesto bebo meu sangue e sorrio para o horizonte sombrio como uma criança travessa a espera do martírio final.
Escrito por Babi Arruda às 17h16
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CONFISSÕES PARA UM MENINO

Tua pureza me encanta Mas tua pouca vivência me agonia Por que não posso chegar perto de teu semblante? A matéria é antagônica às formas espirituais Ah! Teu sorriso! Lembra-me a inocência que tive, das esperanças que perdi. Teus gestos tolos, tua face única me inibe. Como pode culpar-me por te adorar com esperança? Como pode culpar-me de te odiar sem ódio? O que fazes sem sentir? Estais certo? Achas justo? Perca-se no tempo de ninar, Refletindo sobre os teus atos e fatos. Absolva-se, não sejas mais um mau menino. Retorne ao antigo lar e vamos brincar de esconderijo, Onde você se prostra a minha frente, sem defesa, E te coloco no meu colo e te faço chorar. Ah, se tuas mãos tocassem as minhas com clareza, e se teu corpo tocasse o meu com desejo... Tua beleza tira-me todas as falas e pensamentos, confunde minha lógica e me deixa a mercê do desespero. Por que não me vês como uma possibilidade? Por que vês o tempo transcorrido em meu rosto? Esquece que já fui tua amiga e confidente. Não quero mais te ver brincando de esconde-esconde pelas ruas Quero te colocar em meu colo, te mostrar a vida e fazer desse menino um homem.
Escrito por Babi Arruda às 16h52
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ASCENÇÃO DE UMA SOCIEDADE MEDÍOCRE

Eu. Estatelada na frente da TV. Ingerindo falso moralismo, alienando-me em lixos sociais. Vendo uma sociedade idiota reprimindo nossos pensamentos, querendo que deixemos de ser seres humanos para sermos exemplos para uma sociedade em decadência. Ou não? Não, não, uma sociedade que nem está próxima do fim de sua existência! Porque apesar de passeatas, caras pintadas continua a mesma hipocrisia. Políticos, padres, pais, não dão a mínima ao que dizemos. Falam que somos uma juventude alienada, que só queremos fazer barulho para agredi-los. Essa sociedade medíocre vai continuar a existir porque não somos alienados nem barulhentos o suficiente para mudá-la. Tenho nojo de mim! Porque no fundo de minha alma eu me acomodo com essa situação. A mediocridade passa por mim e eu não faço nada, absolutamente nada. Adormeço na podridão de meus pensamentos e na indignação de minha existência. Repudio esta sociedade, mas sei que faço parte dela. Parte de uma sociedade frágil, ignorante e sarcástica. Quanta ironia!
Escrito por Babi Arruda às 17h10
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ESTAÇÕES

Não sei mais o que sou Não me reconheço mais Eu sou a morte das tuas manhãs Sou a luz que paira nos teus cabelos Sou folhas secas na alvorada Sou primavera chegando Eu sou a vida A vida sem medos. Mudanças De certo O eu que existia se dizimou, como uma gota de orvalho A chuva cai, o sol se abriu, logo veio o arco-íris para iluminar meu ser triste Encontrar-me-ia Em algum lugar, não sei Sou uma caixa em reciclagem Um grito de súbito, torna-me um ser inexplicável e inexistente. Um tapa não adiantou, acho que esqueci o quanto doeu. Não voltarei mais ao antigo lugar. E esqueço tudo por súbito através de uma fragrância chamada tempo, Isolada no meu subconsciente. Ser eu por mim mesma Ainda acredito nessa teoria estúpida Ainda sigo esta regra Ah, tristeza Caminhar pelas ruas e não encontrar a direção Achar o paraíso e ficar desconte E por fim, a neve veio E seus flocos de esperança cobriram minha face em lágrimas Lágrimas de alívio.
Escrito por Babi Arruda às 17h43
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