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A Esperança da Caixa de Pandora


TUDO MUITO COMPLICADO

A gente gosta de complicar tudo. A coisa mais simples do universo em questão de segundos se torna uma fórmula complexa de ações, reações e achismos. Não adianta dizer não. As coisas são assim: complicadas!

 

O homem é a espécie mais esquisita que existe. Nada supera as idiossincrasias de cada um. Bicho estranho, bipolar, mimado, orgulhoso, teimoso, vaidoso. Não é exagero. É sério. Difícil convivência passiva e uniforme.

 

Acho que as coisas não deveriam ser assim. Tudo devia girar em torno da naturalidade, da simplicidade e do respeito à existência mútua. Sem contos de fadas e jogos distorcidos de palavras e realidades enfeitadas com política de boa vizinhança.

 

Mas não é assim e ponto. Às vezes uma simples palavra dita no momento errado, do jeito errado é o suficiente para uma avalanche de acontecimentos catastróficos. Ou então aquilo que foi proferido não é bem interpretado e sofre com as distorções do ruído ou até mesmo a maledicência alheia.

 

Julgar, analisar, criticar, repensar, considerar, enfim, qual atitude correta e coerente? Qual desses verbos trará alguma solução para as aflições corriqueiras e crises interpessoais? Talvez nenhum. Talvez não exista um verbo de ação a ser aplicado, apenas a imobilidade dos gestos.

 

Sim, o silêncio das palavras e o descansar das emoções. Os sentimentos quando são conflitantes devem ficar isolados, calados, solitários até que se tornem uníssonos de novo com naturalidade, simplicidade.

 

Ah sim. Tem a lógica: clara e transparente, porém não muito consciente para alguns. Muito se perde em colocações, suposições e eufemismos de caráter. Nada muito lógico e coeso e, portanto, tudo um desequilíbrio amargo daquilo que poderia não ter sido.

 

Mesmo assim, mesmo por atos, fatos e incongruências oratórias o sentimento é o mesmo, só que agora com uma noção nítida das diferenças de percepções, uma consciência pura das interjeições e a certeza pulsante da não retenção de impasses e joguetes. É tudo muito complicado!



Escrito por Babi Arruda às 17h25
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