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A Esperança da Caixa de Pandora


PULSAR DO CONFRONTO

Pulsar. Tontura. Enfim, o estado de torpor.

 

Estranho seria se não houvesse um retorno, mas esta não é a realidade da vida: uma ação, uma reação, uma conseqüência lógica ou aglomerações insanas de dúvidas e castigos de personalidades.

 

O impacto às vezes é muito profundo, inegável sentimento de realidade alternativa. Mas não é. É só abrir os olhos e ver que tudo sempre esteve ali a minha disposição: conceitos e fatos. Era só olhar e aceitar essa disposição em preto e branco. A dor existe porque nos iludimos com verdades que fabricamos.

 

Muito forte a presença do real. Irônico, diria! Neste canto do mundo a espera de uma sensação real e ordinária, simples e selvagem. Apenas algumas atitudes e nunca certas palavras. O original afinal existe e caminha em ziguezague pelas avenidas.

 

Pulsar. Tontura. Enfim, o despertar.

 

Incrível choque do sim e do não, contestando o conhecimento, as lógicas adquiridas, as emoções repaginadas. Pura agressão na boca do estômago, revirando o óbvio e revelando o que já estava ali escondido ou esquecido.

 

Agora eu vejo onde errei e me perdi nas pequenas distorções do inconsciente. Não nas palavras e nas rimas, mas na elaboração de oratórias vazias, descrente de sua eficácia. Pendi mais para discursos prolixos e uma inércia de ações, aplicações e execuções sumárias.

 

Tudo me parece tão simples agora, como um caminhar a grandes passos em linha reta. As confusões estão latentes a priori, mas logo elas se acalmarão, reduzindo seus estados a murmurinhos descompassados.

 

Pulsar. Tontura. Enfim, a aceitação.

 

O contato com a realidade é irrevogável e não existem argumentações contrárias. Não quero mais fugir do absoluto do caos. Isso nada mais é do que a conclusão de um roteiro, uma constatação dos paradigmas existenciais.

 

Comprovação do natural e selvagem sem máscaras e eufemismos. O pulsar do confronto. Coragem e transmutação. Sorria, esta é uma oportunidade única, um estado de graça da agressão polida e bem comportada.



Escrito por Babi Arruda às 11h51
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