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A Esperança da Caixa de Pandora


MARTÍRIO FINAL

Quando o peito aperta, a alma sai fora da matéria e uma lágrima rola em sua face,

E o pranto jurado pelos mortos se aquece,

Sua vida se torna uma redoma de vidro,

E os bárbaros são apenas simples mortais.

Por que esta agonia desenfreada que há tanto tempo passou por mim?

Retorno de angústias passadas?

Como pode ser a fragilidade dos seres humanos.

Finda esta dor, estas lágrimas que já não escorre mais pelo meu rosto, escorre pelo meu coração.

Seguro em meus braços o rei sol com seu coração de gelo.

Que aquece sua solidão e queima meu corpo.

E um abismo se cria entre o céu e a terra.

Os deuses diante de ti sussurram e retiram seu semblante.

Vulnerável, sem defesa, com votos de castidade.

Inconsolável dor, desatinada.

Mudanças atroz, desnecessárias.

Um cálice de vinho entrelaçado em minhas mãos derrama-se e espalha somente a solidão.

Chegar ao fim da linha sem crença na morte e uma desesperança na vida.

Andar na corda bamba da razão, num último golpe: insensatez!

Por fim, em fim, a fim da espera de uma resposta que já conheço.

E num gesto bebo meu sangue e sorrio para o horizonte sombrio como uma criança travessa a espera do martírio final.



Escrito por Babi Arruda às 17h16
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